ANÁLISE CLÍNICA E PESQUISA DE EVIDÊNCIA - ELIANA STURARO PIRONE Briefing de preparação pré-consulta - 06/07/2026 Prontuário: 2025-0908 | 63 anos | Matrícula 39928 CONTEXTO CLÍNICO (síntese até a última FA registrada, 08/04/2026) Paciente feminina, 63 anos, doença renal crônica terminal em hemodiálise regular (dias alternados), hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 insulinodependente. Diagnóstico psiquiátrico oscilou ao longo do acompanhamento entre 6A70 (episódio depressivo com sintomas psicóticos) e 6A20 (esquizofrenia com sintomas residuais, diagnóstico vigente desde 06/03/2026). Última consulta registrada foi em 08/04/2026 - a consulta de hoje (06/07/2026) representa um intervalo de aproximadamente 89 dias, acima do retorno de 30 dias orientado, no mesmo padrão de adesão historicamente irregular já registrado em consultas anteriores. Esquema antipsicótico na última FA (08/04/2026): - Haloperidol solução oral 2mg/ml, 0,5ml (1mg) de 12/12 horas - 2mg/dia - Quetiapina 25mg, 2 comprimidos a noite - 50mg/dia, dose fixa - Risperidona 2mg, 1 comprimido de 8/8 horas - 6mg/dia - Clorpromazina 25mg, 1 comprimido pela manhã por 7 dias - reintrodução transitória Três antipsicóticos concomitantes (Haloperidol + Quetiapina + Risperidona), com reintrodução pontual de um quarto agente (Clorpromazina) em abril. CRONOLOGIA RELEVANTE 08/09/2025: primeira consulta no CAPS - emergência hipertensiva (PA 210/100) associada a hipoglicemia (52 mg/dL); episódio de heteroagressão contra a neta no mesmo período, conforme resumo de passagem de caso. 15/09/2025: alerta crítico de função renal - creatinina 5,0 mg/dL e ureia 150 mg/dL, com discrepância entre nefrologia ("deve ser o basal dela") e clínica da unidade ("ela não é renal crônica") - diagnóstico de lesão renal aguda versus doença renal crônica nunca esclarecido de forma documentada. 08/10/2025: retorno pós-alta hospitalar, esquema definido por psiquiatria hospitalar (Ácido Valproico + Risperidona 6mg/dia + Clorpromazina 200mg/dia), melhora relatada pela família. 28/11/2025: nova psicose ativa com agitação e agressividade em momentos alternados - quadro descrito na própria folha de atendimento como "sugestivo de delirium hiperativo flutuante" - encaminhada ao pronto-socorro. 06/02/2026: retorno com adesão irregular (família administrando por conta própria) e efeitos colaterais do ácido valproico - início de desmame (valproato, clorpromazina), diagnóstico ainda registrado como 6A70. 06/03/2026: cross-taper de clorpromazina para haloperidol, crises de ansiedade tipo pânico durante o desmame (medo de morrer, dispneia), flutuação cognitiva relatada pela família (memória recente prejudicada, memória remota preservada), função renal em progressão de piora - o diagnóstico muda para 6A20 (esquizofrenia com sintomas residuais) sem registro de reavaliação estruturada que justifique essa mudança diagnóstica. 08/04/2026: internação hospitalar de 5 dias, início de hemodiálise regular, hipocalemia sem reposição efetiva registrada, sialorreia nova interpretada como impregnação extrapiramidal, Quetiapina passa de uso de resgate para dose fixa noturna, reintrodução breve de Clorpromazina. PERGUNTAS CLÍNICAS PARA A CONSULTA DE HOJE 1. O quadro atual é mais consistente com esquizofrenia de curso residual estável ou com delirium recorrente secundário a descompensações metabólicas e urêmicas sobrepostas a uma vulnerabilidade de base? 2. A polifarmácia com três antipsicóticos simultâneos (Haloperidol, Risperidona e Quetiapina) é justificada pela evidência disponível, ou deve ser simplificada? 3. A dose de Risperidona (6mg/dia) é segura em doença renal crônica terminal e hemodiálise? 4. Haloperidol é de fato a escolha antipsicótica mais segura do ponto de vista cardíaco e renal neste perfil, considerando hipocalemia, doença renal crônica e idade? 5. A sialorreia nova é realmente compatível com impregnação extrapiramidal por este esquema, e qual o manejo mais seguro numa paciente com comprometimento cognitivo e renal concomitantes? 6. Alguma das medicações de resgate para efeitos extrapiramidais (benztropina, amantadina) é segura nesta paciente? SÍNTESE DE EVIDÊNCIA - UPTODATE LOCAL 1. Delirium versus transtorno psicótico primário em paciente com doença renal crônica em hemodiálise Fonte: Psychiatric Illness in Adults Receiving Maintenance Dialysis; Psychosis in Adults - Epidemiology, Clinical Manifestations, and Diagnostic Evaluation (UpToDate). O UpToDate é explícito quanto a regra prática de avaliação: diante de dúvida diagnóstica, o mais útil é assumir delirium e tentar excluir causas médicas comuns antes de firmar um diagnóstico psiquiátrico primário. Isso vale mesmo para pacientes com doença psiquiátrica prévia já documentada, incluindo demência, porque esses pacientes também são suscetíveis a delirium quando agudamente doentes. O tópico específico sobre pacientes dialíticos descreve que pacientes em hemodiálise, sobretudo com 65 anos ou mais, são vulneráveis a delirium por encefalopatia urêmica (reversível dias a semanas apos diálise adequada), síndrome de desequilíbrio dialítico, distúrbios eletrolíticos (hipercalemia, hipocalemia, hipoglicemia, hiperglicemia, disnatremias), acúmulo de fármacos por falha de depuração renal, instabilidade hemodinâmica, doença cerebrovascular e deficiência de tiamina. A cronologia da paciente - múltiplos episódios de psicose ou agitação temporalmente associados a descompensações metabólicas agudas (emergência hipertensiva com hipoglicemia em setembro de 2025, creatinina de 5,0 no mesmo mês, agitação com internação em novembro de 2025, hipocalemia sem reposição em abril de 2026) e um padrão mais compatível com delirium hiperativo recorrente secundário a doença renal, uremia ou distúrbio eletrolítico do que com um curso estável de esquizofrenia. A própria folha de atendimento de 28/11/2025 já registrou quadro "sugestivo de delirium hiperativo flutuante" - mas o diagnóstico migrou posteriormente para esquizofrenia sem reavaliação estruturada documentada dessa hipótese alternativa. Dado epidemiológico de contexto, da mesma fonte: estudo com 70 pacientes em diálise encontrou prevalência pontual de esquizofrenia e outros transtornos psicóticos de 10 por cento, o que pode exceder a taxa da população geral - ou seja, esquizofrenia coexistente e possível, mas não é a explicação por exclusão diante de um padrão tão claramente ligado a descompensações agudas. Implicação prática: reforçar ou repetir avaliação de função renal, eletrólitos (sobretudo potássio, já registrado baixo sem reposição efetiva) e adequação dialítica na consulta de hoje. Perguntar ativamente sobre flutuação do nível de consciência intercorrente, e não apenas sobre a cognição basal, para diferenciar de esquizofrenia residual estável. 2. Polifarmácia com três antipsicóticos simultâneos - evidência contrária Fonte: Schizophrenia in Adults - Maintenance Therapy and Side Effect Management (UpToDate). O UpToDate recomenda de forma geral não adicionar um segundo antipsicótico em pacientes com resposta subótima, por haver pouca evidência empírica que sustente essa prática. Um estudo de coorte nacional finlandês, com mais de 62 mil pacientes com esquizofrenia, sugeriu menor risco de hospitalização com terapia combinada em comparação com monoterapia de forma geral, mas a única combinação especificamente associada a melhor desfecho do que seus componentes isolados foi clozapina associada a aripiprazol - não há evidência de suporte específico para a combinação de Haloperidol, Risperidona e Quetiapina. O UpToDate prefere um ensaio terapêutico com clozapina a combinação de antipsicóticos, reservando a combinação a pacientes já em uso de clozapina nos quais não se consegue atingir dose terapêutica - cenário que não se aplica a esta paciente. Implicação prática: o esquema atual de três, por vezes quatro, antipsicóticos concomitantes não tem lastro de eficácia comparativa na literatura consultada. Se a hipótese de delirium recorrente por descompensação metabólica for considerada, a resposta mais coerente pode ser tratar a causa de base (eletrólitos, adequação dialítica) e simplificar o esquema antipsicótico, em vez de escalar ou somar mais fármacos. 3. Segurança renal - Risperidona, Haloperidol e Quetiapina Fonte: Second-Generation and Other Antipsychotic Medications - Pharmacology; First-Generation Antipsychotic Medications - Pharmacology; Psychiatric Illness in Adults Receiving Maintenance Dialysis (UpToDate). Risperidona: seu metabólito ativo, a 9-hidroxi-risperidona, é comercializado separadamente como paliperidona. O UpToDate documenta que a paliperidona, da qual 80 por cento é excretada inalterada por via renal, necessita redução de dose em disfunção renal leve a moderada e não é recomendada em disfunção renal grave, definida como depuração de creatinina abaixo de 10 mL por minuto - faixa em que se encontra uma paciente em hemodiálise regular. Como a atividade clínica da risperidona depende em grande parte deste metabólito ativo de depuração renal, o princípio de cautela e redução de dose se estende, por analogia farmacológica, a própria risperidona nesta paciente. A dose atual de 6mg por dia já havia sido sinalizada como elevada para 62 anos com doença renal crônica em folha de atendimento anterior, de 06/02/2026 - esse alerta permanece válido e é reforçado pela farmacologia revisada. Haloperidol: metabolismo predominantemente hepático, via múltiplas enzimas do citocromo P450, sem necessidade de ajuste renal específico documentado na fonte consultada. Este é o racional correto por trás da escolha já feita pelo médico assistente de priorizar o Haloperidol como antipsicótico de perfil renal mais seguro entre os disponíveis - escolha consistente com a farmacologia descrita. Quetiapina: metabolismo hepático rápido, com meia-vida de eliminação de 6 a 7 horas e metabólito ativo com meia-vida de 12 horas, sem menção de necessidade de ajuste renal na fonte consultada. Isso reforça que, entre os três fármacos, Quetiapina e Haloperidol são as opções com menor preocupação farmacocinética renal, e Risperidona é a que carrega maior incerteza e risco nesta paciente específica. Regra geral da fonte sobre pacientes dialíticos: é improvável que a diálise remova quantidades significativas de antidepressivos, antipsicóticos e benzodiazepínicos, por serem lipofílicos, com alta ligação proteica e grande volume de distribuição - ou seja, a hemodiálise em si não depura esses fármacos; o problema é de acúmulo por falha de eliminação renal basal, e não de perda pela própria diálise. Em caso de incerteza sobre a dose de um psicotrópico em paciente dialítico, a recomendação geral é iniciar com a metade da dose usual utilizada na população geral e titular de forma mais lenta. 4. Segurança cardíaca - prolongamento de QT, hipocalemia e escolha de antipsicótico Fonte: First-Generation Antipsychotic Medications - Pharmacology, seção sobre prolongamento do intervalo QT e morte súbita; Psychiatric Illness in Adults Receiving Maintenance Dialysis (UpToDate). A fonte sobre pacientes dialíticos recomenda evitar fármacos que prolonguem o intervalo QT nessa população, pelo risco aumentado de eventos cardíacos decorrente de doença cardiovascular comórbida associada a desvios eletrolíticos durante a diálise - cenário que se aplica diretamente a hipocalemia já registrada e não corrigida na última folha de atendimento. Sobre o Haloperidol especificamente: alterações mínimas do intervalo QT são descritas com a administração oral e intramuscular; o risco relevante de prolongamento do QT e de torsades de pointes está associado principalmente a via intravenosa, sobretudo em doses acima de 35mg por dia - cenário que não se aplica aqui, uma vez que a via é oral e a dose é de apenas 2mg por dia. Uma meta-análise de 84 estudos, com 12.180 indivíduos, mostrou risco de eventos cardíacos com haloperidol comparável ao placebo, e mortalidade também comparável ao placebo. Achado de atenção, no entanto: um estudo populacional finlandês em pacientes idosos com doença de Alzheimer encontrou um risco relativo de mortalidade maior com Haloperidol do que com Quetiapina, sugerindo que, em população idosa com comprometimento cognitivo, a Quetiapina pode ter perfil de mortalidade mais favorável do que o Haloperidol a longo prazo, mesmo que o mecanismo específico de prolongamento de QT não explique totalmente essa diferença. Recomendação prática da própria fonte, antes de iniciar fármacos de maior risco de prolongamento de QT: eletrocardiograma e dosagem de potássio sérico basais, com eletrocardiograma repetido ao menos anualmente e a cada ajuste de dose. Não há registro de eletrocardiograma em nenhuma das folhas de atendimento revisadas, apesar da hipocalemia documentada - lacuna a considerar preencher na consulta de hoje. 5. Alerta de mortalidade em idosos ("boxed warning") - aplicabilidade ao caso Fonte: Second-Generation and Other Antipsychotic Medications - Pharmacology (UpToDate). Desde 2005 a agência reguladora norte-americana exige alerta de caixa preta para todos os antipsicóticos de segunda geração quanto ao aumento de aproximadamente 1,6 a 1,7 vezes na mortalidade por qualquer causa em pacientes idosos com psicose relacionada a demência. A paciente tem 63 anos, com flutuação cognitiva registrada em 06/03/2026 (memória de curto prazo prejudicada, memória remota preservada) - um padrão que pode ou não configurar quadro demencial ou neurocognitivo concomitante, mas que justifica investigação ativa hoje, já que, se confirmado comprometimento neurocognitivo, o alerta de mortalidade se aplicaria formalmente ao esquema atual. Um estudo específico em idosos em uso de antipsicóticos encontrou também risco aumentado de lesão renal aguda - achado relevante numa paciente já com doença renal crônica terminal. 6. Sialorreia - mecanismo provável e manejo Fonte: Second-Generation and Other Antipsychotic Medications - Pharmacology; Schizophrenia in Adults - Maintenance Therapy and Side Effect Management, seção sobre parkinsonismo (UpToDate). A sialorreia classicamente descrita na farmacologia de antipsicóticos na biblioteca consultada é associada a Clozapina, por mecanismo em receptores dopaminérgicos D4 e adrenérgicos alfa-2A - a paciente não usa clozapina, portanto esse mecanismo específico não se aplica diretamente. O achado mais coerente com o esquema desta paciente é sialorreia por parkinsonismo induzido por antipsicótico, em que a redução da frequência automática de deglutição por bradicinesia e rigidez leva ao acúmulo de saliva observado clinicamente como "babação", mais do que uma hipersecreção salivar verdadeira - mecanismo plausível dado o uso concomitante de Haloperidol, um antipsicótico de primeira geração de alta potência com maior risco de efeitos extrapiramidais, e de Risperidona, que entre os antipsicóticos de segunda geração e o de maior risco relativo de efeitos extrapiramidais, especialmente acima de 4 a 6mg por dia. A conduta preferida pelo UpToDate diante de parkinsonismo secundário clinicamente relevante é reduzir a dose do antipsicótico como primeira intervenção, com monitoramento próximo quanto a reagudização psicótica; caso não haja melhora ou não seja possível reduzir, trocar para um antipsicótico com menor propensão a causar parkinsonismo. Apenas se essas opções falharem ou forem contraindicadas, considera-se o tratamento farmacológico do próprio parkinsonismo. A Benztropina, na dose inicial de 1mg duas vezes ao dia, titulada até 3mg duas vezes ao dia se necessário, é a primeira escolha do UpToDate, mas com a ressalva explícita de maior risco de efeitos anticolinérgicos, incluindo confusão mental, em pacientes com sensibilidade anticolinérgica ou preocupações cognitivas prévias - situação relevante nesta paciente, que já apresenta flutuação cognitiva registrada. Nesses casos o UpToDate sugere preferir a Amantadina como alternativa de menor carga anticolinérgica; entretanto, a Amantadina é farmacologicamente conhecida por ser eliminada de forma predominantemente renal, o que exigiria ajuste de dose importante ou cautela adicional numa paciente em hemodiálise - a biblioteca UpToDate consultada não detalhou especificamente essa dose renal, o que deve ser verificado antes de qualquer prescrição. Implicação prática mais direta e alinhada a evidência: diante da sialorreia nova, a resposta preferencial não é necessariamente adicionar um agente anticolinérgico, e sim reconsiderar a redução ou simplificação do esquema antipsicótico atual, especialmente Haloperidol e Risperidona, monitorando de perto o risco de reagudização. OPÇÕES TERAPÊUTICAS PARA A CONSULTA DE HOJE, EM ORDEM DE PRIORIDADE Opção 1 - Reavaliação estruturada de delirium versus esquizofrenia residual antes de qualquer ajuste medicamentoso. Racional: a regra prática do UpToDate de assumir delirium até prova em contrário, combinada com a cronologia clínica de episódios recorrentes ligados a descompensação metabólica, torna esta a prioridade clínica de hoje. Perguntar ativamente sobre flutuação do nível de consciência, revisar eletrólitos recentes, especialmente potássio, função renal e adequação dialítica antes de decidir sobre antipsicóticos. Vantagem: pode identificar causa tratável e reversível, evitando escalada desnecessária de antipsicóticos. Limitação: não resolve a urgência caso haja sintomas positivos ativos hoje, quando o tratamento sintomático imediato permanece necessário em paralelo. Opção 2 - Reduzir a Risperidona, com prioridade sobre Haloperidol e Quetiapina. Racional: é a molécula com maior incerteza de segurança renal, por seu metabólito ativo similar a paliperidona, e maior risco relativo de efeitos extrapiramidais entre os antipsicóticos de segunda geração - candidata mais forte a redução diante da sialorreia nova e da hipótese de polifarmácia excessiva. Vantagem: reduz risco renal e de efeitos extrapiramidais e sialorreia com racional farmacológico direto. Limitação: requer monitoramento de reagudização psicótica; a redução deve ser gradual, nunca abrupta. Opção 3 - Não adicionar um quarto antipsicótico; considerar simplificação do esquema para um ou dois agentes. Racional: a evidência do UpToDate não sustenta a manutenção de três antipsicóticos simultâneos por falta de dados de eficácia comparativa; a combinação atual não corresponde a nenhuma combinação com evidência específica de superioridade, uma vez que apenas clozapina associada a aripiprazol tem esse dado, o que não se aplica aqui. Vantagem: reduz a carga total de efeitos extrapiramidais e o risco cardíaco e renal cumulativo. Limitação: simplificação em paciente com histórico de reagudização recente pode ser arriscada sem estabilização prévia do quadro metabólico e eletrolítico. Opção 4 - Priorizar a correção da hipocalemia e a revisão da adequação dialítica em paralelo. Racional: hipocalemia sem reposição efetiva desde a última folha de atendimento é fator de risco tanto para arritmia quanto, potencialmente, para o próprio quadro flutuante interpretado como psicótico. Vantagem: aborda uma causa reversível diretamente. Limitação: depende de articulação com nefrologia e clínica médica, fora do escopo isolado da consulta psiquiátrica, mas deve constar como encaminhamento explícito. Opção 5 - Eletrocardiograma e potássio sérico como rotina de segurança antes de manter o esquema atual. Racional: recomendação explícita do UpToDate antes de fármacos com risco de prolongamento de QT, reforçada pelo cenário de hipocalemia documentada e ausência de registro de eletrocardiograma nas folhas de atendimento revisadas. Vantagem: medida de segurança simples e de baixo custo, alinhada a evidência. Deve ser feita independentemente da conduta medicamentosa escolhida. PONTOS DE ATENÇÃO PARA A CONSULTA DAS 13 HORAS - Confirmar se a hipocalemia foi corrigida desde 08/04/2026, quando foi orientada dosagem particular de potássio - perguntar diretamente a cuidadora. - Investigar ativamente flutuação do nível de consciência, e não apenas da memória, para diferenciar delirium recorrente de esquizofrenia residual estável. - Reavaliar a real necessidade de manter Risperidona 6mg por dia frente ao perfil renal. - Não adicionar novo antipsicótico ou anticolinérgico para a sialorreia sem antes considerar a redução do esquema atual. - Confirmar se a hemodiálise está sendo realizada com adequação (índice Kt/V), fator citado na literatura como associado a comprometimento cognitivo em pacientes dialíticos. - Verificar o status da reintrodução transitória de Clorpromazina, prescrita por 7 dias em 08/04/2026 - deve já ter sido suspensa há meses; confirmar se não permaneceu por inércia. - Retorno em atraso, aproximadamente 89 dias em vez dos 30 dias orientados - reforçar adesão e vínculo com a cuidadora, principal fator de proteção identificado ao longo de todo o acompanhamento. Fontes consultadas: UpToDate local (biblioteca psiquiátrica, categorias mental-médico, psicóticos e geriatria). Documento de pesquisa e preparação pré-consulta - não é prontuário oficial. Elaborado por: Dr. Renato Abritta Zacarias - CRM-SP 228408 Data: 06/07/2026